A meditação pode te ajudar a sentir menos dores, diz pesquisa

Conhecida como 'mindfulness', prática pode distrair o cérebro das sensações físicas desagradáveis

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Publicado em: 10/09/2018

Um estudo realizado na Escola de Medicina Wake Forest, nos Estados Unidos, pode ter encontrado a resposta do motivo pelo qual algumas pessoas sentem menos dor do que outras. A explicação estaria no "mindfullness", ou seja, um estado de atenção plena, no qual o indivíduo se concentra no momento presente, sendo que as emoções e sensações são aceitas e percebidas do jeito que são.

"A consciência está relacionada ao 'estar ciente' do momento presente sem reação emocional ou julgamentos", disse Fadel Zeidan, professor de neurobiologia do Wake Forest. "Agora sabemos que algumas pessoas são mais conscientes do que outras, e elas sentem menos dores."

Publicado no periódico médico Pain, o estudo analisou dados de outra pesquisa, realizada em 2015, que comparou a relação entre a meditação mindfulness e analgésicos placebo. Na nova avaliação, Zeidan procurou determinar se a atenção plena estava associada à menor sensibilidade à dor. Além disso, ele buscou identificar quais mecanismos cerebrais estavam envolvidos nestes processos.

No estudo, 76 voluntários saudáveis ??que nunca fizeram mindfulness tiveram que completar o Freiburg Mindfulness Inventory, um teste clínico sobre atenção e consciência plenas. Em seguida, enquanto passavam por exames de ressonância magnética, a temperatura subiu para 48°C, em uma situação extrema de muito calor que os provocava dores.

 

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Ressonância apontou que área do cérebro ligada à mente plena também está conectada com menos dores (Foto: Wake Forest Baptist Medical Center)

 


Ressonância apontou que área do cérebro ligada à mente plena também está conectada com menos dores (Foto: Wake Forest Baptist Medical Center)

Análises dos cérebros revelaram que quem ficou com a mente plena durante a alta temperatura também desativou a região cerebral chamada córtex cingulado posterior, nó central da "rede do modo padrão". Aqueles que relataram mais dores apresentaram mais atividade nessa área cerebral.

A rede de modo padrão se estende do córtex cingulado posterior ao córtex pré-frontal (PFC) do cérebro. As duas regiões alimentam informações para frente e para trás. Segundo Zeidan, essa rede está associada ao processamento de sentimentos de autoestima e mente vaga. "Assim que você começa a executar uma tarefa, a conexão entre as áreas se desativa e o cérebro aloca informações e processos para outras áreas neurais", explicou.

É como se a meditação ajudasse o cérebro a se distrair da dor. "O modo padrão é desativado sempre que você está realizando qualquer tipo de tarefa, como leitura ou escrita. A rede só é reativada quando o indivíduo para de executar uma atividade e começa a ter pensamentos, sentimentos e emoções plenos sobre si", informou Zeidan.

"Agora temos novos dados para direcionar esta região do cérebro no desenvolvimento de terapias eficazes para a dor. É importante ressaltar que este trabalho mostra que devemos considerar o nível de atenção plena ao calcular por que e como a pessoa sente menos ou mais dor", comentou o professor. "Com base em na pesquisa anterior, sabemos que podemos aumentar a atenção plena com períodos curtos de treinamento de meditação, o que pode ser uma forma de proporcionar alívio para milhões de pessoas que sofrem de dores crônicas."

Fonte: Galileu
Edição: A.N.

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