Cientistas definem condições que caracterizam verdadeira noite de descanso

Demorar mais de uma hora para dormir depois de se deitar, por exemplo, é sinal de alerta para pessoas de todas as idades

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Publicado em: 30/01/2017

Um adulto passa, em média, um terço do dia na cama. A ciência já mostrou a importância de esse tempo ser bem aproveitado: dormir mal afeta o sistema imunológico, pode influenciar no peso, altera o humor e aumenta os riscos de doenças, como diabetes, problemas cardiovasculares e de memória, entre outros. A qualidade do sono, porém, nem sempre é um conceito objetivo. Para defini-lo melhor e, consequentemente, fornecer informações mais precisas à população, a Fundação Nacional do Sono dos Estados Unidos avaliou 277 estudos sobre o tema e lançou o primeiro consenso de recomendações. O resultado foi publicado na revista Sleep Health.

Depois de discutir os artigos, o painel formado por 19 especialistas concluiu que há quatro variáveis apropriadas para medir a qualidade do sono: latência, eficiência, quantidade de vezes que a pessoa acorda depois de começar a dormir e, nesse caso, em que momento desperta. “Para fazermos campanhas educativas e tomarmos inciativas na área de saúde pública sobre a boa qualidade do sono, precisamos de componentes objetivos. Milhões de pessoas estão usando dispositivos vendidos no comércio que dizem medir a qualidade e a quantidade do sono. Há uma necessidade de definir esses conceitos usando as melhores evidências científicas disponíveis”, diz o epidemiologista do sono Maurice Ohayon, pesquisador da Universidade de Stanford e organizador do painel.

Para medir a continuidade do sono, os especialistas escolheram, em primeiro lugar, a latência, ou o tempo necessário para haver a transição da vigília ao sono pesado. Para todos os grupos etários avaliados — de bebês a idosos —, a quantidade ideal são 15 minutos. Segundo Ohayon, levar de 16 minutos a meia hora para dormir é aceitável. Porém, um intervalo de 45 minutos a uma hora já indica baixa qualidade do sono (exceto para idosos) e acima de uma hora é sinônimo de sono ruim, independentemente da idade.

Outro indicador da continuidade é a eficiência do sono, ou seja, o tempo que se passa de fato dormindo depois de se deitar. De acordo com os especialistas, para se ter qualidade, é necessário que essa eficiência seja maior ou igual a 85%. Abaixo de 74%, o sono é de má qualidade para todos os grupos etários, exceto os idosos. Entre os mais velhos, dormir menos de 64% do tempo passado na cama é sinal de que o sono está ruim. 

A fotógrafa Paula Leon, 27 anos, já chegou a “rolar na cama” por mais de duas horas antes de pregar os olhos. Desde criança, ela tem dificuldade para dormir, um problema que a incomodou muito na infância e na adolescência. Hoje, diz estar acostumada, mas reconhece que é aflitivo fechar os olhos e não conseguir dormir. “Já tentei tomar remédio, tomei leite quente e fiz exercícios de respiração”, enumera.

Nenhuma estratégia funcionou. As cápsulas de melanina, substância que ela comprou nos Estados Unidos, onde a venda é liberada (no Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária ainda não autorizou a comercialização), fizeram a jovem dormir, mas a deixaram aérea no dia seguinte. “Eu fecho o olho, mas minha mente não para. É como se eu fizesse um resumo do dia”, afirma. 

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Fonte: Correio Braziliense

Edição: A.N.

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