Ficar acima do peso por muitos anos aumenta risco de lesões no coração

Segundo pesquisa americana, a maior vulnerabilidade se mantém mesmo quando o indivíduo emagrece.

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Publicado em: 06/03/2018

Pessoas que estão obesas ou com sobrepeso por muitos anos devem ter cuidado redobrado com a saúde cardíaca. É o que sugere um estudo do Johns Hopkins Medicine, em Maryland, Estados Unidos. Segundo pesquisadores da instituição, quanto maior o tempo de briga com a balança, maior é o risco cardiovascular, devido ao impacto prolongado à musculatura cardíaca. E o pior: a vulnerabilidade segue mesmo quando se consegue emagrecer.

“Indivíduos com obesidade atual e anterior apresentam maior probabilidade de lesão miocárdica”, ressalta Chiadi Ndumele, professor-assistente da Faculdade de Medicina da universidade americana e principal autor do estudo, publicado na revista Clinical Chemistry. Para chegar à conclusão, Chiadi Ndumele e sua equipe analisaram os dados de 9.062 voluntários, com idade entre 45 e 64 anos e participantes do estudo Atherosclerosis Risk in Communities, um estudo prospectivo epidemiológico realizado em quatro cidades dos EUA de 1985 a 2016.

Para formar o banco de dados, homens e mulheres foram visitados quatro vezes, tiveram o índice de massa corporal (IMC), o histórico de doença cardíaca e os níveis da enzima cardíaca troponina avaliados e autorrelataram quanto pesavam aos 25 anos. As analisar os dados, a equipe do Johns Hopkins descobriu que quase 23% dos recrutados sofreram aumento do IMC de entre 1987 e 1998, sendo que, na quarta visita, 3.748 (41%) estavam com excesso de peso e 3.184 (35%) estavam obesos.

O nível de troponina, indicador clínico para dano cardíaco, também foi avaliado pelos pesquisadores. Eles concluíram que cada 10 anos de obesidade aumenta em 26% o nível da enzima no corpo de um indivíduo. “Nesse estudo, avaliamos como o histórico de sobrepeso e obesidade desde os 25 anos foi associado com altos níveis de troponina na velhice”, complementa Chiadi Ndumele. A maior vulnerabilidade permaneceu mesmo quando havia risco de doença cardíaca devido a hipertensão, diabetes e doença renal.

O pesquisador diz que os mecanismos que ligam a obesidade a danos no miocárdio, responsáveis, por exemplo, pelos infartos, ainda não são precisos, mas que o estudo mostrou que as condições comumente associadas ao excesso de peso, como hipertensão, diabetes e colesterol alto, não são justificativas para essa conexão, uma vez que os resultados foram semelhantes entre aqueles que tinham e os que não tinham essas condições. “Temos a hipótese de que o excesso de gordura exerce, provavelmente, efeitos tóxicos diretos no coração, por meio de cargas de pressão mais elevadas; efeitos tóxicos de gordura dentro do músculo cardíaco; e efeitos inflamatórios no tecido adiposo”, lista.

Para a professora de nutrição da Universidade Federal de Goiás (UFG) Maria Aderuza Horst, o fato de os pesquisadores terem excluído indivíduos com doenças cardiovasculares é um fator importante. “Eles retiram um elemento que poderia aumentar falsamente a relação entre excesso de peso e danos do miocárdio”, explica.

Biomarcador
Roberto Kalil Filho, professor titular de cardiologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e diretor do Instituto do Coração, avalia que o estudo aborda uma questão clássica sobre obesidade e doença cardiovascular. “A novidade é que eles mostraram que a obesidade, por si só, é um fator de risco para a lesão no músculo do coração”, conta.

Maria Aderuza Horst concorda, mas destaca que o tamanho da amostra da pesquisa também merece destaque. “Esse estudo é importante, uma vez que avaliou um grande número de indivíduos e utilizou um biomarcador de danos do miocárdio, a troponina cardíaca de alta sensibilidade, e fez uma associação com o tempo de excesso de peso”, detalha. Segundo a professora da UFG, um fator limitante da pesquisa é que o peso dos participantes aos 25 anos foi autorrelatado. Como eles iniciaram o estudo com 45 a 64 anos, pode ter ocorrido lapsos de memória.

Chiadi Ndumele conta que ele a sua equipe trabalham, agora, estudando as doenças com que a obesidade está associada aos danos no miocárdio e também o quanto essas lesões são diminuídas com a perda de peso. Para Roberto Kalil Filho, independentemente dos resultados, o emagrecimento deve ser estimulado. “É importante a perda de peso para tratar e evitar mais lesões ao miocárdio”, justifica.

Fonte: Correio Braziliense
Edição: F.C.

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