Por que existem tantas diretrizes para mamografia?

Idade e frequência com que exame deve ser realizado gera polêmica; medida é importante para detecção precoce do câncer de mama

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Publicado em: 11/02/2016

A partir de que idade e com que frequência uma mulher deve fazer mamografia, exame voltado à detecção precoce do câncer de mama? É uma pergunta simples. A resposta, porém, varia bastante conforme a fonte consultada. Essa situação, que pode deixar muitas mulheres confusas, voltou a ganhar destaque nos últimos meses, quando duas renomadas entidades norte-americanas divulgaram suas novas diretrizes sobre o tema, com diferenças importantes entre si.

Em outubro, a Sociedade Americana do Câncer passou a indicar que as mulheres façam mamografia anualmente a partir dos 45 anos. As que têm mais de 54 devem fazer o exame a cada dois anos, enquanto forem saudáveis e tiverem uma expectativa de vida superior a dez anos. Em janeiro deste ano, foi a vez de a US Preventive Task Force divulgar suas recomendações. E a orientação da entidade é que a mamografia de rotina comece a ser realizada mais tarde, a partir dos 50 anos, e seja repetida a cada dois anos até os 74. Vale destacar que, para elaborar suas diretrizes, ambas lidaram com os mesmos dados. O que muda é a forma de interpretá-los, afirma o médico Ruffo de Freitas Junior, presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia. “A grande questão é que tipo de informação ganha mais peso para cada um.”

Nesse sentido, um dos pontos mais polêmicos se refere ao custo-benefício de descobrir (e tratar) um tipo específico de lesão que pode surgir nas mamas, chamado carcinoma in situ. Essas lesões são detectadas por meio da mamografia, principalmente entre mulheres de 40 a 50 anos, e cerca de metade deles evoluirão para câncer. Mas a ciência ainda não é capaz de diferenciar as lesões perigosas daquelas que não trarão maiores consequências. Vale a pena diagnosticar e tratar todas essas lesões? Quais as vantagens e desvantagens dessa intervenção? É essa a questão por trás das diferenças entre cada diretriz.

“Grupos que defendem que a mamografia de rotina ocorra após os 50, como a US Preventive Task Force, afirmam que, em mulheres mais jovens, o benefício da redução de mortalidade por câncer de mama não é tão grande quanto a possibilidade de detectar carcinomas in situ que, eventualmente, não precisariam de tratamento. E isso levaria a fazer biópsias desnecessárias em mulheres que não teriam nada”, afirma o Dr. Ruffo de Freitas Junior. É o que se chama de “overdiagnosis” e “overtreatment” (diagnóstico e tratamento em excesso).

Fonte: Revista Galileu
Edição: A.R

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