Postura: todo cuidado é pouco

Algumas precauções, combinadas com estímulos adequados, ajudarão a prevenir problemas futuros na coluna de sua criança.

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Publicado em: 25/04/2016

Composta por 24 ossinhos móveis empilhados uns sobre os outros, e movimentados por um conjunto de músculos, a coluna éa viga mestra na delicada edificação do corpo humano. É ela que nos sustenta em posição ereta e propicia a mobilidade do tronco. Também funciona como uma casca protetora para a medula espinhal – as estruturas nervosas que levam e trazem informações de todo o corpo para o cérebro. Com papel tão importante a desempenhar, é uma parte do corpo da qual não se deve descuidar um minuto.

Na França, estudos mostram que três em cada quatro crianças em idade escolar apresentam problemas de coluna. Embora no Brasil ainda não se tenha estatísticas a respeito, os especialistas têm observado que é cada vez maior o número de meninos e meninas que se queixam de dores lombares nessa faixa etária. "A falta de exercícios, o tempo que ficam sentados na escola, diante da TV ou do videogame, e posturas inadequadas são as principais causas", observa a fisiatra Marta Imamura, para quem a melhor maneira de prevenir problemas futuros é cercar de atenções a coluna do pequeno durante os três primeiros anos de vida, quando ela se consolida.


Ponto frágil

Na fase intra-uterina, é um material cartilaginoso e extremamente flexível que forma a coluna vertebral, permitindo que o bebê coloque o pezinho na boca com a maior facilidade – coisa quase impossível para um adulto que não tenha habilidades de contorcionista.

Depois do nascimento, ela passa por um processo de consolidação e crescimento. Só que as vértebras – como são chamados os ossos que a compõem – não crescem no sentido do comprimento, como os demais: são como círculos que aumentam de diâmetro, expandindo-se para os lados. Nessa fase, determinados movimentos podem causar sérias lesões e devem ser evitados. "É o caso das torções, resultado, por exemplo, de rotações bruscas do pescoço, que podem acontecer em brincadeiras onde a criança foi sacudida ou chacoalhada", alerta o ortopedista Carlos Eduardo Oliveira.

Um dos pontos mais vulneráveis é o pescoço, a região das três primeiras vértebras cervicais. Por isso, ao pegar o bebê procure manter sua cabecinha bem protegida. Uma forma de garantir isso é segurá-lo na vertical, com as costinhas apoiadas em você, enlaçando seu peito com um dos braços e sus-tentando o bumbum na outra mão. Quando ele já conseguir firmar o tronco – o que ocorre por volta dos 7 meses –, passe a enlaçá-lo na altura dos quadris ou da cintura, para que possa exercitar o equilíbrio, uma habilidade importante na hora de começar a andar.

Curvas normais

Nos primeiros tempos, olhando-se um bebê de perfil, percebe-se que sua coluna é quase que totalmente reta. Bem diferente da de um adulto, que descreve uma linha sinuosa, formando três curvas: lordose cervical, cifose torácica e lordose lombar.

No bebê, essas curvas vão aparecendo com o tempo, re-sultado de um trabalho feito por toda a musculatura que envolve a coluna e que dá sustentação aos ossos. A tonificação dessa musculatura segue o ritmo do desenvolvimento neuromotor da criança. Até os 3 meses, ela firma o pescoço e, com isso, estimula os músculos da região. A partir dos 7, é capaz de ficar com o tronco reto. Ao firmar-se em pé e dar os primeiros passos, em torno de 1 ano, está exercitando todos os músculos ao longo da coluna, do pescoço ao cóccix. É quando se consolidam, nela, as três curvas fisiológicas normais.

Estímulos

Ao longo de todo esse processo, você pode ajudar seu filho a trabalhar a musculatura dorsal através de gostosas brincadeiras e atividades corriqueiras.

  • Tão logo ele firme o pescoço, coloque-o deitado de bruços e faça cócegas em suas costas, ou utilize qualquer outro recurso que chame sua atenção para que ele levante a cabecinha tentando ver o que se passa à sua volta. Esse movimento estimula os músculos do pescoço e do alto das costas, favorecendo a formação da lordose cervical.
  • Quando deitado de costas, o bebê tem o hábito de puxar as perninhas para o alto, elevando um pouco o bumbum. É uma ótima forma de exercitar e fortalecer os músculos dos quadris e da pelve, que emolduram a base da coluna e serão importantíssimos para a sustentação da criança quando ela ficar de pé e caminhar. Sempre que possível, encoraje o bebê a repetir esse movimento levando os pezinhos dele em direção à boca ou fazendo cócegas na planta dos pés.
  • Lá pelos 5 meses, com a ajuda de almofadas e grandes bolas coloridas, brinque com ele sobre um acolchoado estendido no chão. Deite-o de barriga sobre uma pequena almofada e instigue-o a levantar o tronco aprumando as costas. Ou, sentada no acolchoado, pegue-o como se fosse brincar de aviãozinho, de modo que ele fique em posição horizontal, olhando para o chão. Em seguida, encoraje-o a apoiar as mãozinhas numa bola para alongar os braços e as costas. Ou, ainda, deite-o de barriga para cima e puxe-o para a frente pelos braços, levantando seu tronco. Depois, sem soltar suas mãos, deixe que vá voltando aos poucos à posição inicial.
  • Assim que ele se colocar de pé e começar a dar os primeiros passos, ofereça-lhe com freqüência brinquedos de empurrar nos quais possa se apoiar sem curvar as costas.
  • Andar descalço sobre solo irregular – grama ou terra – é uma maneira divertida de estimular a formação da curvatura da sola dos pés. Uma criança com pé chato ou plano depois de 4 anos tem tendência a andar com os joelhos "para dentro" (pernas em x). Essa postura pode levar à hipercifose – a curvatura excessiva do dorso das costas, que precisa de tratamento.
  • Mais tarde, lá pelos 3 anos, os trepa-trepa dos playgrounds estão igualmente no rol das brincadeiras indispensáveis. Subindo nessas estruturas, a criança testa o equilíbrio e tonifica os músculos dorsais.

Massagem 

Para que a coluna se desenvolva corretamente, é preciso tonificar os músculos das costas. A criança começa a fazer isso ao levantar o pescoço, deitada de bruços. As massagens da mamãe também ajudam. Outro recurso é a massagem, que tem efeitos benéficos também na área emocional. Você pode começar quando o bebê completar três meses. Deite-o de bruços e dê leves tapinhas nas costas dele, como se estivesse tirando a poeira. Faça isso com a mão espalmada, partindo do pescoço em direção ao bumbum, seguindo a linha da coluna e deslizando as mãos para os lados no final do movimento. Repita várias vezes, acelerando e diminuindo o ritmo, alternadamente. A natação, encarada de forma recreativa, é outra opção que traz benefícios e pode ser apresentada à criança já a partir dos 6 meses. Sustentado pela água, o bebê se movimenta com mais liberdade, expandindo os músculos e os membros.

Fique atenta

Há vários problemas ortopédicos, em geral de origem congênita, que, se não detectados e corrigidos a tempo, podem causar danos à coluna vertebral. Os principais são:

  • Escoliose 

Desvio lateral da coluna (vista de frente, em vez de parecer um I, ela fica com a forma de um S), sem causa aparente. Há três tipos de escoliose, classificados de acordo com a idade em que se manifestam: a infantil (1 a 4 anos); a juvenil (de 4 anos até o início da puberdade); e a adolescente (a partir do início da puberdade). Normalmente o problema é corrigido com o uso de coletes ortopédicos. Se não der certo, é feita cirurgia para soldar as vértebras na posição correta.

Uma luxação congênita de quadril, geralmente detectada nos primeiros exames feitos no recém-nascido, se não for tratada logo também pode evoluir para uma escoliose.

  • Diferença no comprimento das pernas 

Pode ser detectada a partir de 1 ano. Ao olhar a criança de costas, quando ela está em pé, percebe-se que a bacia está inclinada para um lado e a coluna tem a forma de um S. Quando a diferença de uma perna para outra é de até 2 centímetro, os médicos indicam o uso de sapato especial ou palmilha. Acima disso, a correção só se faz com intervenção cirúrgica.

  • Doença de Pethes

É ocasionada por um defeito congênito de vascularização que acaba danificando a cabeça do fêmur. Costuma ser percebida por volta dos 6 anos, quando a criança se queixa de dores no quadril e começa a mancar. É tratada com aparelho ortopédico para evitar que o quadril fique lesado.

Fonte: Crescer
Edição: F.C.

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